terça-feira, 28 de junho de 2011

Rebobinando-me

*não sou eu, só faltou o olho um pouquinho mais torto.
               
                Surge um sorriso no rosto, quando me lembro da infância. Um sorriso pequeno e cheio de boas recordações. Cujo os maiores problemas (aqueles bem dolorosos, de entristecer por meses) se limitavam, nas roupinhas de barbie que foram estragadas ou que sumiram, e quando estava brigada com a minha melhor amiga. Era o fim da vida e antes de dormir tais lembranças aterrorizavam meu sono. 
                E quando aqueles primos mais velhos, que se achavam no direito de me atormentar  só porque eu era mais nova, dizendo blasfêmias do tipo ''você é filha do tiririca, lalalala!''. Que absurdo! Isso me tirava o bom senso, e me fazia dizer palavras brutas: ''eu vou apelar!'', que na minha cabeça realmente significava apelar mas também ficar pelada. E isso os faziam rir, me deixando muito, mas muito nervosa.
                E quando minha vó, minha querida vó, fazia aquela batida de frutas -que iam me fortalecer que nem o espinafre do marinheiro Popai- me colocando na sala de televisão (televisão de caxote) dentro de uma piscina de plástico azul- no chão da sala-  que em vez de água havia um travesseiro para assistir ao Cócóricó seguido do Castelo Rá-tim-bum, na TV Cultura. Era magnífico. Transbordava as minhas tardes de uma satisfação imensa.
                Não posso me esquecer dos tampões que me ajudaram a não ter mais o estrabismo. Sim, eu era estrábica. Usar tampão, me fez sofrer bulling na infância. Ah, voltar da escola era uma festa no caminho. Criava toda uma história, que só eu conhecia e que só eu atuava, e vinha reproduzindo até chegar em casa e encontrar minha cachorra kika toda feliz e saltitante por me ver...
               É, são tantas lembranças que a minha vontade é de sempre tê-las em mente, tê-las em detalhes no meu coração. É muito triste ver a velhice chegando e com ela a doença do esquecimento. Esquecer do que fora vivido com tanta puresa e honestidade, esquecer das pessoas importantes que enfeitaram a sua vida, de tristezas profundas e de momentos tão bem vividos que não se passaram de 5 minutos. Que a morte venha, mas venha sem matar tais lembranças. Sim, isso é uma prece da minha alma.